
Moro no Paraná e em razão disso infelizmente não tive muitos momentos com o Vô Maneca. A distância nos privou da convivência valiosa. Lembro-me que quando tinha seis anos fomos de carro (Eu, meu pai, minha mãe e meu irmão) até Sergipe e, quando estávamos chegando no Brejinho, avistamos um senhor com enxada nas mãos, trabalhando sob o sol.Meu pai falou “aquele é seu Avô” e apertou a buzina. Vô Maneca levanta a cabeça, reconhece o filho Tonho, solta o instrumento de trabalho, acena com veemência e corre para nos encontrar.Assim fui apresentada aos meus avós paternos e naquele momento conheci algo diferente. É difícil descrever.Senti o olhar de ternura, um carinho sem fim externado por um abraço forte e um "cheiro" demorado.Não posso ocultar que a princípio estranhei tamanho aconchego porque eu me sentia uma estranha.A casa era linda - Rosa com detalhes brancos, grande, uma varanda gostosa, muitas janelas.Aos poucos consegui perceber que ali naquela casa o "CHEIRO" era dado ou tomado a todo instante.
Era tão diferente do que eu estava acostumada. Sempre fui muito distante. Sem muitas demonstrações de carinho e ali as demonstrações eram fartas para todos que ali chegassem. Ficava olhando de soslaio a forma natural dos meus primos se acercarem dos meus avós e tios, o carinho, o amor, a delicadeza com que falavam entre si e sentia uma ponta de ciúme por não conseguir me expressar da mesma forma. Eu achava tão lindo!Nossa! E a mesa? Quanta comida gostosa. O olhar da Vó Nita sorrindo com orgulho quando meu pai tirava uma enorme fatia de Cuscuz e passava manteiga nos mostrando como podíamos comer aquela iguaria que também podia ser com ovos, ou leite, carne de sol talvez.
De manhã cedinho o milho sendo ralado, tapioca, quanta novidade!
E os cavalos? Tinha o Dois de Ouro (O único que eu me lembro o nome) que era do meu primo Eugênio, mas haviam outros. AHHH!, que delícia! Vô Maneca nos ajudando a montar e abençoando a nossa cavalgada. Um dia, o meu cavalo disparou. Quase caí. Que susto!Lembro-me da voz mansa do vô Maneca conversando com meu pai e eu no cantinho espiando. Quando ele percebeu a minha presença ele disse: Chegue aqui minha filha, venha me dar um cheiro. É assim que eu me lembro do Vô Maneca. Tenho muito orgulho de descender deste homem Sábio, de carregar o sangue de um Guerreiro e de poder seguir o exemplo do Pai e Avô que nos deixou saudades eternas. Silvana Carraro Aguiar
Curitiba,10/05/2008
VOVÔ MANECA – DOUTOURADO EM HONRADEZ

Tive a oportunidade de conviver com ele durante grande parte de minha infância e juventude, quando logo que entrava de férias viajava para a Fazenda Brejinho, onde pude aprender muitos ensinamentos e lições de vida, e construir o berço da minha vida. Figura marcante que se não tinha muita instrução, tinha muito vontade de proporcionar felicidade, trabalho e a união de todos. Tinha o seu estandarte a figura de nossa querida avó Anita, e reconheço que meu pai Luiz Alves lhe permitiu concretizar seus sonhos de expansão de suas terras, sempre gerando empregos para os trabalhadores da região; era bonito, nas tardes das sextas-feiras ver a frente da fazenda repleta dos trabalhadores a receber seus salários, e sempre remédios, para sanar doenças de seus familiares. Nunca vi um funcionário seu reclamar por maus tratos ou por questões trabalhistas, apesar de reconhecer sua rigidez e energia que imprimia junto aos seus trabalhadores, primos e filhos, pois primava pela qualidade das ações. Queria que a carroça encostasse ao máximo no degrau para que todos desembarcassem bem próximo ao mesmo,Trabalho, trabalho, trabalho! Nunca conheci alguém que trabalhasse mais do que Seu Maneca!, como era conhecido por todos. Não tinha feriado, domingo, chuva, que lhe impedisse de trabalhar; doença nem falar, era difícil vê-lo doente, exceto quando tinha a enxaqueca provocada pelos fumantes. Convivi com ele algumas de suas manias: o baralho, a dama, as balinhas, o copo de martini, a novela, o futebol, onde somente aí divergíamos, pois ele torcia pelo Sergipe, mas com o respeito total pela nossa predileção. Respeito, outra palavra de ordem de Seu Maneca; nunca o vi faltar com o respeito, ou admitir que alguém desrespeitasse o outro. Firmeza, e um senso de equilíbrio que mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida, passava para todos um conformismo com as adversidades da vida, e isto foi importante para que a família pudesse enfrentar algumas perdas inesquecíveis. Sempre nos passava uma vontade de que todos estivessem com ele, e se preocupava em dar a proteção a todos, com suas orações ao se deitar. Passou para todos nós o sentimento de que tudo era possível com fé, muita altivez e cabeça erguida; nunca o via esmorecer e sempre estava a nos estimular, e nos cobrar o melhor possível, como era com nosso time de futebol; ele sempre cobrava de mim, para partir para cima dos adversários, mesmo reconhecendo que meu porte físico não era o ideal; a época era o Carlinhos, o Carlitinho da Vóvó Anita, mas com seu grito de guerra, nos levava a fazer gols e ganhar os jogos; alias, ele nunca queria perder, e buscava SEMPRE SER UM VENCEDOR!
É com essa frase final, bastante emocionado, que guardo a imagem de meu avô, na certeza de que ele mereceria mais do que essas palavras: uma tese de doutorado do aprendizado de honradez, trabalho e amor ao próximo; mas tenho fé em deus e acredito que nossa querida tia Roza vai nos proporcionar um livro desse grande homem, como diria meu saudoso pai Luiz Alves!Salve o centenário de Manoel Gomes de Aguiar, seu Maneca do Brejinho!
Carlos Hermínio e família
Aracaju,12 de maio de 2009
UM TESTEMUNHO DE ESPIRITUALIDADE
Tia Roza...não poderia deixar de falar algo sobre o meu avô nesta homenagem ao seu centenário de nascimento,vez que fui um dos netos que assistiu os últimos momentos de sua passagem aqui na terra.
Falar sobre o homem, Sr.Maneca,muitos falaram e eu concordo com todos,mas desejo falar um pouco sobre Maneca,o espírito,o que presenciei em seus últimos diálogos antes de nos deixar e ir para a eternidade.
Muito bonito e emocionante:
Ele estava sem falar há uns dias e,de repente, me pede para chamar os filhos os quais ele ia abençoando um a um e fazendo algumas recomendações.Estavam todos filhos, netos e amigos em sua casa mas inha mãe acabara de sair para ir em casa trocar de roupas.Ele abençoou a todos e disse:”E cadê Marizete? Respondi-lhe: Ela foi em casa.
Ele saiu do ar e todos chorando e exclamando que ele havia morrido...de repente, ele volta a si e perguntei-lhe o que havia acontecido, e ele me disse que tinha feito uma viagem ao outro mundo. Perguntei-lhe ainda o que foi fazer lá e o que viu, se encontrou os nossos parentes falecidos. Ele respondeu que lá ninguém conhece ninguém, todos são vestidos de branco e que é tudo muito bonito e que tudo lá é festa. Perguntei ainda qual a razão da viagem e ele me disse que o dia dele estava chegando e foi ver tudo lá como era...neste momento ele se calou e começou a orar...todos nos acalmamos e ele adormeceu...
Tres dias depois, ele volta a acordar e diz :”Chame Mano” e todos deles nos aproximamo,ele fez algumas recomendações e, sempre orando, ele nos deixou e foi em busca de Deus..
Estes momentos pra mim foram marcantes e jamais os esquecerei.
Beijos. Helder
CENTENÁRIO DE "UM SUPER-HOMEM"
Não poderia deixar de fazer um comentário breve sobre o Centenario de "UM SUPER-HOMEM", principalmente porque tenho a honra de residir onde ele e D.Anita deram inicio a uma história de sucesso. Por uma dessas coisas da vida herdei dele,meu avô, toda uma história política que começou com minha mãe Marizete,sua filha,que foi eleita prefeita,sendo a primeira mulher em Sergipe e uma das primeiras no Brasil a ocupar este cargo,mostrando assim toda a sua influência e força política na sua cidade e região do baixo S.Francisco,e que, por conta disso,hoje fui eleito prefeito para um segundo mandato.
Sempre que encontro com um de seus melhores amigos, o Mestre Raimundo,enciclopédia viva da historia de meu avô que ora recebe esta homenagem,fico horas e horas ouvindo ele contar as passagens da vida de Seu Maneca, e só assim é possível entender o porque de um homem construir tamanho nome.
O Assentamento MANOEL GOMES DE AGUIAR é o reconhecimento de uma população a um homem trabalhador que muito fez pela agricultura e pecuária em nosso município.
Parabéns a tia Roza pela iniciativa de prestarmos esta merecida homenagem ao meu avô Maneca. Augusto César
VOVÔ MANECA, SÉRIO E ESPIRITUOSO!

"Com Deus eu me deito, Com Deus eu me levanto, Com os poderes de Deus, E do divino Espírito Santo. Nossa Senhora Santana, Me cubra com o vosso divino manto. Bem coberto serei, Não terei medo nem pavor. E se a morte me chamar, E eu não puder falar, Meu coração me diga três vezes: Jesus para me remir, Jesus para me salvar. Meu Deus eu vou me deitar E não sei Senhor se será esta a última noite para mim. E a cruz que nela morreu,
Chegue-se para mim, Amém".
É com essa oração impressa em meu coração, ensinada por vovô Maneca, que quero homenageá-lo em seu centenário. Homem de muita fé, que fazia eu me sentir segura de todos os perigos, ao lado dele. Além de manifestar a presença forte de Deus, manifestava também o seu lado, viril e carinhoso beijando-nos repetidas vezes com sua barba ainda por fazer. Acho que por isso, determinou o estilo do homem que o meu coração viria escolher: claro, vermelho, alto, viçoso e carinhoso como ele... ah! esqueci, e um tanto rude!
Saudades da pasta de documentos dele cheia de balas de aniz, escondida atrás da porta do quarto, que Gera (Geraldo de tia Teca) nos fazia o grande favor de roubá-las para nós; das demoradas partidas de buraco que ele, pacientemente, ensinava a cada um de nós o segredo da arte! Detalhe: não suportava jogar com gente burra! Das respostas que dava para vovó: Mulher comeu carne de porco hoje, que tá tão enjoada? mesmo a gente notando que a amava tanto! Sério e espirituoso, duro e amoroso, do campo e tão moderno, são estes contrastes que deixaram sua
marca em mim. Beijo grande, da sua neta Angélica Hermínia
A ESSÊNCIA DE UM SER TÃO ESPECIAL