sábado, 9 de maio de 2009

QUEM FOI MANOEL GOMES DE AGUIAR?

MANOEL GOMES DE AGUIAR,
MANECA AGUIAR



Nascido no dia 14 de maio de 1909, na fazenda João Vieira, povoado de Poço dos Bois, município de Cedro de São João, estado de Sergipe.
Filho de Manoel Gomes de Novaes e Afra Amélia de Aguiar.
Cresceu na fazenda ao lado de seus pais e de seu único irmão, João Gomes de Aguiar.
Estudou pouco, não chegando a concluir o curso primário. Chegou a estudar em Neópolis, lugar mais adiantado. Nesse tempo morou na casa de uma tia. Como não quis continuar os estudos voltou para casa dos pais.
Quando adolescente ajudava a seu pai nas atividades rurais. Trabalhava em roças, tiragem de leite, conduzindo comboio de burros e em carro de bois para transporte de cana e outros produtos.
Aos 21 anos, trabalhando num carro de bois para abastecer as usinas de Laranjeiras, conheceu uma bela moça, vizinha de sua tia Carolina de Aguiar (Calu) que já há muito tempo, após o casamento com Abdias Torres, morava naquela cidade.
Aquele também bonito jovem se encantou com a beleza da moça e conseguiu com a ajuda da tia Calu, aproximar-se dela, tornando-se conhecido da família, amigo de um dos seus irmãos. Posteriormente veio a pedi-la em casamento, no que foi aceito.
Maria Anita do Nascimento, sua eleita, moça culta, já estava concluindo seus estudos na famosa escola Laranjeirense da Professora Zizinha Guimarães, escola que além das disciplinas básicas, ensinava francês, esperanto, música, dança e teatro.
Anita deixa os estudos e, em pouco mais de um ano, no dia 26/11/1929 na Igreja Matriz de Laranjeiras, foi celebrado o casamento, passando o casal a morar na Fazenda João Vieira, onde Maneca já morava quando solteiro.
O amor entre os dois era tamanho, que Anita , moça da cidade, passou a viver, ao lado do marido, a vida simples do campo; a fazer os trabalhos rudimentares típicos das donas de casa da zona rural.

Passados alguns anos, de muito trabalho, Maneca e Anita conseguiram construir sua própria casa na Fazenda Brejinho, propriedade dos pais de Maneca.

Quando ainda moravam no João Vieira, nasceram seus três filhos mais velhos: José Hermínio (Zezé), Maria Hermínia (Neném) e Maria José (Teté). No Brejinho, nasceram seus filhos: Emanuel Messias, Antonio Hermínio, Marizete, Maria do Carmo, João, Maria Anita e Manoel Luis e , em Propriá, época em que alugou uma casa na rua da Vitória para que os filhos mais velhos pudessem prosseguir os estudos, nasceu Antonia Rosa.

No Brejinho, Maneca viveu ao lado de sua esposa Anita por toda a sua vida. . Daí ele ser conhecido na região como “Maneca do Brejinho”.
Enquanto ele saía para o trabalho no campo, onde plantava imensas roças de feijão, milho, mandioca e algodão, ela ficava em casa, cumpria suas atividades domésticas e estava sempre atenta a todo o movimento de gado e de trabalhadores, haja vista que o curral fica ao lado da casa sede da fazenda. Ela também sempre controlou com ele as despesas e receitas da propriedade, estando sempre atenta ao cumprimento dos prazos de pagamento dos débitos contraídos, com uma particularidade, sempre que se conseguia pagar um grande débito, se comemorava com fogos, missa de ação de graças e, muitas vezes, com festa.

Sempre foi muito alegre, muito comunicativo e tinha um grande prazer em receber as pessoas em sua casa. Como sua esposa também gostava muito de acolher a todas as pessoas, sua casa era muito freqüentada pelos parentes e amigos que moravam fora e, mais frequentemente, pelos parentes e amigos da região.
A grande mesa da sala de jantar era famosa pela fartura de deliciosas comidas que Anita fazia numa incrível rapidez. Em volta dela sentavam-se lado a lado seus familiares, seus trabalhadores e todos que estivessem em casa na hora das refeições.
Muito trabalhador, para ele não havia trabalho difícil, nem havia, se fosse necessário, hora para começar ou terminar um trabalho.
Era um gigante no trabalho e tinha Anita como sua grande aliada, grande companheira de todas as horas.
Quando já idosos, ela reclamava que já precisavam descansar, morar na cidade, mas ele não queria deixar o campo, nem o trabalho pra viver na cidade.
Já com os filhos todos fora de casa ,ele ainda saía para as atividades no campo e ela ficava ,agora sozinha , cuidando dos afazeres domésticos e, quando se desocupava, dedicava-se a ler e a escrever.
Neste período, escreveu mais de cem poesias que fazem parte de seus livros A DOR DA SOLIDÃO e PASSAGENS DA VIDA. Escreveu também vários contos e histórias do seu tempo que se distribuem em três outros livros ainda inéditos.

Para atender aos desejos da esposa, Maneca comprou, em Aracaju, em 1965, uma casa pequena na rua Socorro para os filhos, que já não queriam mais estudar em internatos, prosseguirem seus estudos . No ano seguinte, comprou uma casa melhor, um bangalô, na mesma rua, para onde se mudaram imediatamente.
Pouco tempo depois, comprou no município de Laranjeiras, terra de sua querida Anita a fazenda Mata, a 20 quilômetros de Aracaju, onde passaram a morar, perto dos filhos e da capital.
Agora ele cuidava apenas da pecuária, mas se dividia entre as duas fazendas: a Brejinho em Malhada dos Bois e a Mata em Laranjeiras.

Com o falecimento de Anita, em 01.06.1980, ele ainda permaneceu na fazenda seis meses, até que em janeiro de 1981 sofreu um grave acidente no campo e após sair do hospital, ficando com pouca saúde, passou a morar em Aracaju, por uma década, até o seu falecimento em 16.09.1991 .

Em Aracaju, nesta época, após o falecimento de Anita e o acidente que sofreu, registrou dois filhos, Emanuela e Marcelo, nascidos de Maria Paula dos Santos, pessoa que cuidava dele.


PERSONALIDADE

Maneca era uma pessoa alegre, muito amigável, muito solidária, estava sempre pronto a servir principalmente aos mais carentes.
Carinhoso com a esposa,com filhos, netos e outras crianças, passava horas ao anoitecer numa esteira com todos em volta. Contava-lhes estórias de trancoso e casos verídicos, suas aventuras para vencer na vida.
Costumava ser muito afetuoso com os filhos, netos e sobrinhos mais jovens, sempre beijando-lhes principalmente na cabeça. Desta forma todos gostavam de cumprimenta- lo para receber os repetidos beijos, dezenas de carinhosos beijos, e pela alegria que ele demonstrava quando os via.
Contrastando com essa sua maneira de ser tão afável, alegre, amigável, quando estava aborrecido ninguém o enfrentasse naquele momento.
Passado o estresse parecia que nada havia acontecido, nunca guardava rancores. Quando quem o ofendeu o procurava, costumava esquecer as ofensas e o ofensor, se assim o desejasse, voltaria a ser seu amigo.
.


RELIGIOSIDADE

Homem de muita fé, casado com uma mulher igualmente de fé, em sua casa eram comuns as orações em especial à noite, quando todos se reuniam para orar. Faziam tríduos, novenas e outras orações. Todos eram muito devotos de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Costumava fazer outras orações para necessidades do dia a dia. Contam os mais antigos que as larvas caiam quando ele rezava para curar bicheira dos animais, não sendo necessário o uso de medicamentos. Vários são os testemunhos de pessoas com ferimentos graves, com hemorragia e que tiveram o sangue estancado, após suas orações.

ESPORTES E BRINCADEIRAS

Quando jovem gostava da “quebra de braços”, tendo vencido todas as competições com pessoas dos estados de Sergipe, Alagoas e Bahia. Era exímio jogador de ‘petecas‘ sempre jogando com seus primeiros filhos.
Gostava também de pescarias, não por brincadeira, mas para ajudar no sustento da família, de pessoas da convivência ou de pessoas mais necessitadas.



À noite, depois do jantar, gostava muito de jogar “damas“. Também costumava jogar baralho, geralmente era o” três setes” e o “buraco”, todos com pessoas da família. Tinha grande habilidade no jogo e não gostava de sair perdendo, desta forma ele não gostava de parar o jogo enquanto não fosse o vencedor. Isso ocorria já na sua velhice o que era motivo de graça para os netos e filhos que ou perderiam, sem parecer que facilitaram a disputa, ou então teriam que continuar o jogo por mais um tempo
Na sua maturidade, incentivava, nas férias escolares, filhos, netos e sobrinhos a formarem um time de futebol para disputa com times das fazendas vizinhas. Ele era um grande torcedor e prestigiava todas as competições.




PARTICIPAÇÃO NA ECONOMIA

Maneca vivia exclusivamente da agropecuária. Todos os anos, independentemente do clima estar favorável ou não, fazia gigantescas roças de algodão, milho e feijão e assim gerava trabalho para grande quantidade de trabalhadores, homens e mulheres, dos municípios de Malhada dos Bois e São Francisco além de outros tantos do povoado de Poço dos Bois. Quando precisava urgência num trabalho, formava os chamados grandes batalhões, ocasião em que levava comida e bebida para todos. Em tempo adverso, quando ninguém oferecia serviço, as pessoas tinham onde trabalhar e, curiosamente, enquanto as pessoas consideravam uma loucura plantar roças com o tempo tão ruim, ele costumava dizer que Deus sempre o protegia e salvava suas culturas quando tudo indicava que só teria prejuízos.

NA ÁREA DA EDUCAÇÃO

Era um defensor do estudo. Como na década de 30 não havia escola na área rural onde vivia, teve a idéia de contratar uma professora para ensinar as crianças da localidade. Conversando com os primos e vizinhos de propriedade, Daniel de Aguiar Figueiredo e Romeu de Aguiar Figueiredo, recebeu total apoio dos dois. As despesas eram divididas entre os três. O primo Romeu, que possuía muitas casas na sua fazenda, cedeu uma delas onde as aulas eram ministradas e também onde residiam as professoras .
Ensinaram nessa escola montada por eles as professoras Lourdes e Quitéria, ambas vindas da cidade de Cedro de São João.
Maneca e Anita sempre quiseram que os filhos estudassem e não mediam esforços para que eles pudessem evoluir. Com grande sacrifício colocavam os filhos em internatos e encaminhava-os a centros mais adiantados para que prosseguissem seus estudos.


PARTICIPAÇÃO NA POLÍTICA

Era filiado à UDN - União Democrática Nacional, partido que apoiava fielmente. Embora gostasse e até se empolgasse com a política, nunca quis se candidatar a nenhum cargo, nem assumir nenhuma função pública. Empenhava-se muito nas campanhas,
contribuindo pessoal e financeiramente com todas as candidaturas que apoiava
.Era sempre muito ouvido e respeitado na região.



Aracaju, 02/04/2008
Antonia Roza de Aguiar Menezes

Texto elaborado para integrar a história da família AGUIAR na grande ÁRVORE GENEALÓGICA dos descendentes de João de Aguiar Boto de Melo (Major Aguiar). Árvore esta feita pelo médico João Augusto Guimarães Figueiredo.

8 comentários:

  1. Tia.. parabens pelo incentivo..
    A noite ontem foi maravilhosa.. cada um escreveu palavras belas sobre esse grande homem.. e em breve esperamos ver todas as homenagens aqui postadas..

    bjaoo

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  2. lindo... me emocionei ai ler todas essas historias..
    fiquei encantado...

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  4. ABENÇOAREI VOCÊ TODOS OS DIAS!

    Contarei uma passagem de minha vida, com meu avô Maneca, que teve um grande significado pra mim.
    Quando criancinha, perdi meu pai e sentia inveja de ver todos vocês pedirem a bênção a vovô. Resolvi então convidá-lo a ser meu pai também. Ele riu muito,abraçou-me,beijou-me e disse assim: “Vanessa terei muito prazer em ser seu pai,mas estou muito velho e perto de morrer,acharia melhor que você convidasse uma pessoa mais jovem,assim você terá um pai por muito tempo”; fiquei um pouco triste e ele acrescentou: “escolha um de seus irmãos para chamar de pai e, enquanto eu for vivo, abençoarei você todos os dias, minha filha”.Pulei de alegria e chamei César pra ser meu pai. Dias depois ele me perguntou: “e ai Vanessa já escolheu seu pai? Então disse-lhe que sim e anunciei o nome. Ele riu,abraçou-me e disse: “boa escolha minha filha,que Deus abençoe você e seu pai e que vivam juntos por muito tempo”.
    Nunca esqueci e resolvi contar a todos estes momentos alegres que tive com meu avô.

    Vanessa Aguiar Dinízio

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  5. Fico feliz em conhecer meus irmãos , sobrinhos tios, mesmo que seja pela internet, tenho a plena convicção de que Deus sabe de todas nossas aflições e necessidades e quando chegar a hora não sairei deste plano sem abraça-los e dizer o quanto os amo,

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  6. Manoel Gomes de Aguiar foi um dos maiores empreendedores rurais da Região do Baixo São Francisco. Admirado por todos que o conheceram, trabalhou ao lado do povo pobre de sua região (Malhada dos Bois, São Francisco, Cedro de São João, Propriá e adjacências).
    Nascido em Poço do Bois, filho de Afra Amélia Aguiar e Manoel Gomes de Novaes, homem de cepa, alicerçou a sua fama de homem trabalhador, fama esta que cruzou o estado, sendo conhecido, muito admirado e respeitado em Sergipe e Alagoas.

    O amor que dedicou a toda a sua familia se estendia a todos com os quais convivia, principalmente àqueles que com ele dividiam o espaço na labuta diária, abrindo caminhos para o progresso de todos, fazendo roças imensas, plantando milho, algodão, feijão, abóbora e tudo aquilo que pudesse contribuir com a criação de trabalho para os lavradores da região.

    Sr. Maneca, como era e ainda é conhecido, continua sendo um ídolo desta nossa região e do município de Malhada dos Bois, pois todos aqueles que com ele conviveram e também os que destes são descedentes, sempre estão a lembrar e elogiar as suas qualidades.

    O homem bravo, que foi Maneca, contou diretamente com o apoio e o incentivo daquela que foi tudo para ele, a sua querida esposa Maria Anita do Nascimento Aguiar, pessoa especial em sua vida. Nascida em Laranjeiras, terra de maior cultura deste Estado de Sergipe, representou a mão forte para que Maneca pudesse realizar todos os seus sonhos com empreendedor.

    D. Anita, como era conhecida, marcou sua vida ao lado de seu esposo construindo laços de amizade que ainda hoje perduram. Pessoa de muito saber, escrevia diariamente colocando os seus conhecimentos em um diário de escritos, poemas, contos e crônicas, peças que fazem inveja a qualquer escritor.
    JOSÉ TELES

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  7. ver se tem algumas referencia na familia de manoel gomes de aguiar os nomes sao ireneu gomes de aguiar e elias gomes de aguiar elizeu gomes de aguiar . manoel gomes de aguiar. elizeu gomes de aguiar os enderessos que eies moravan eram este endewreso que eles moravam . em pimental corrego com esta familias .so que entao o seu ireneu veio pra sao paulo fazer a vida e se cazou .e tem uma familia . hoje quem esta correspondendo com voce e a nora dele eu mechamo theresa . por gentilesa venho pedir que voce manda uma correspodencia para min . eu passei meu telefone para voce . queu quero que voce comfirma para mim se ele tem este irmao qual estou passando para voce . eu termino desejando uma boa noite . moro em mogi das cruzes em sao paulo .o meu muito obrigado

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    1. Terezinha, estou procurando pessoas que possam ter referência ou que conheceram o senhor Irineu e seus irmãos. Na realidade ele deve ser parente de meu pai, mas não é irmão, pois o nome do único irmão de papai é João, que jâ é falecido também. Assim que eu tiver informações volto a ne vomunicar com você por aqui. Fiquei feliz com o seu comentário. Muito obrigada . Seja feliz. Em breve estarei lhe enviando outras notícias

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