domingo, 10 de agosto de 2014

LEMBRANÇAS DE MEU PAI


Mãos grossas e calejadas
Pele castigada pelo sol
Chapéu de baeta acinzentada
Cabelos molhados de suor
 
 
Roupa às vezes molhada
Suor escorrendo no peito.
Livrando-se das botas suadas
Os pés, com seus longos dedos
 
 
Ele chegava falando alto
Contava as novas do dia
Cheirava logo as crianças
Sorriso largo, uma alegria.
                                                            
Transmitia muita segurança
Pensar em medo, jamais.
Trabalho, fé e esperança
São lembranças de meu pai.

10/08/2014
Antonia Roza

  


 

 
 

 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

HOMENAGEM À ESCRITORA ANITA NASCIMENTO


 

Maria Anita do Nascimento  Aguiar, ou simplesmente ANITA NASCIMENTO, autora do livro PASSAGENS DA VIDA  e de mais 21 trabalhos inéditos,  completaria hoje 107 anos de vida.
Para homenageá-la, tomei a iniciativa de  publicar, em nosso blog, alguns trechos, estrofes, poesias, verdadeiras pérolas retiradas de seu livro  e carinhosamente formatados por sua prima, e também escritora, Anita Dias Cambuim.
O intuito desta publicação é oportunisar aos leitores  uma breve visão da poesia de minha querida mãe Anita Nascimento, sergipana de Laranjeiras.

Antonia Roza de Aguiar Menezes
 






















ANITA NASCIMENTO TAMBÉM ERA ATENTA AO QUE SE PASSAVA NO MUNDO DO  ESPORTE



domingo, 20 de julho de 2014

AQUELAS FESTAS JUNINAS

     SÃO JOÃO NA FAZENDA BREJINHO


(Formatação Anita Dias Cambuim)
 
  
 
Minha mãe era uma pessoa muito alegre que amava dançar. Foi na famosa Escola da Professora Zizinha Guimarães, em Laranjeiras – Sergipe, que a menina Maria Anita Nascimento aprendeu dança. O tempo de colégio se foi, e ela morando na fazenda, já casada e com muitos filhos e netos, na época das festas juninas trabalhava muito e também dançava.
Durante o dia preparava todos os tipos de guloseimas, comidas típicas para deleite da família, e à noite ao som da sanfona que papai todos os anos contratava, ela dançava com todos nós, filhos, netos e sobrinhos, deslizando pela imensa sala do Brejinho com uma leveza invejável.  
Enquanto ela dançava, incentivada por papai, que não gostava de dançar, ele ficava em volta da imensa fogueira, vendo e ajudando a criançada a soltar fogos e assar espigas de milho.
As festas juninas na fazenda Brejinho no tempo de meus pais, Maneca e Anita, são inesquecíveis. 
Antonia Roza
22/06/2012

sábado, 10 de maio de 2014

MARIA DO CARMO AGUIAR


 


 

  Maria do Carmo Aguiar




Carminho... minha madrinha de batismo ...
Das suas manias tenho seu perfume.
Do seu olhar a sua magia...
de ser tia madrinha e amiga.
O esquecimento nunca será meu refúgio, daquela asa branca que voou bem mais alto que podia! 
Meu filho nasceu no seu dia perpetuando a sua linda e pura existência!                             

Aldete Hermínia.
                                                                     

 
Maria do Carmo Aguiar nasceu 10 de maio de 1943 na Fazenda Brejinho município de Malhada dos Bois.
Filha de Manoel Gomes de Aguiar e Maria Anita do Nascimento Aguiar, Carminho, como era carinhosamente conhecida, completaria 71 anos hoje.
A exemplo de seus irmãos, ela foi alfabetizada por sua mãe em casa e já foi à escola sabendo ler. Estudou inicialmente no grupo Escolar do Povoado Bananeiras, passando a estudar no Grupo escolar de Malhada dos Bois e, posteriormente para o Ginásio Imaculada Conceição na Cidade de Capela. Lá estudou alguns anos. Deixou seus estudos, voltou para a fazenda, mas posteriormente resolve fazer as provas do antigo “artigo 99”, atual supletivo, conclui o segundo grau e é aprovada no vestibular de Matemática, matéria de que mais gostava, por sua complexidade.
 O que mais me impressionava nessa minha irmã era o seu amor, o modo de tratar e de brincar com as crianças. As crianças a amavam, pois ela se fazia criança e se identificava com elas. Era simples, fazia muitas amizades e muito bondosa acolhia muitas pessoas em sua casa.
Diagnósticado seu mal em  agosto de 2002 ,em 29 de maio de 2003  teve final seu sofrimento que foi também uma pequena morte para nós todos que a amamos.
Não direi tudo ,pois outros também falarão sobre ela.
 
De Marizete
 





Carminho sempre foi uma pessoa muito mimosa, tanto que, muita gente a chamava de “Mosa”.
Muito inteligente, entendia tudo muito rapidamente, não gostava de estudar e sim de aprender o que nós outros tínhamos dificuldade.

Muito versátil nas artes, se destacou no “CULTART’, da UFS, onde era simplesmente amada e respeitada por todos, desde os superiores aos colegas e artistas a quem o Centro se destinava”.
Pouco vaidosa, não gostava de ambientes muito elegantes.
Amava pescar siri com puçá, fumava muito, mas não bebia. Costumava participar de eventos ligados ao seu trabalho, torcia pelo "Sergipe”, e seu hobby favorito eram jogos de toda natureza, nos quais era difícil ser derrotada.
Muito família, se dedicava sobremodo às crianças com quem
inventava centenas de brincadeiras.                                         Esteve apaixonada por um amigo com quem nem chegou a namorar devido ao infortúnio que se abateu sobre a família dele.

De sua amor por Antonio Ferreira, nasceu Anita, o grande prêmio com que Deus lhe agraciou para toda a vida.




 Deus a levou de volta ainda jovem, vitima de um câncer no cérebro, deixando conosco muitos exemplos bons, lições de vida
inesquecíveis e muitas saudades. Marizete.
 
Maria José, “Teté”, também tece alguns comentários sobre Maria do Carmo:  Eu convivi pouco com Carmo, porque quando eu me casei ela era menina. Lembro que ela estudava em Malhada dos Bois e depois em Capela, interna no colégio das freiras.
Carmo  era uma pessoa muito verdadeira, bondosa, prestativa, decidida e de pouca conversa, não falava da vida de ninguém, não chamava "tostão" meu dinheiro, portanto não hesitava em gastar quando necessário e até para alegrar seus sobrinhos dando-lhes o que pediam.
 Ela era muito simples. Lembro-me de uma passagem quando ela morava na rua Socorro, em Aracaju. Nós íamos fazer um concurso da Universidade e ela vestiu um vestido tão ruim que mamãe disse:” Teté peça para Carmo vestir uma roupa melhor!” Era assim, não tinha luxo, tudo para ela estava bom. Era mesmo uma pessoa de Deus e cedo foi morar com ele nos deixando com muita saudade. Descanse em paz minha irmã que nós oramos por você. Teté.
 
De Maria Anita (NIU)
Hoje dia 10/05 se fosse viva , minha irmã Maria do Carmo Aguiar comumente chamada Carminho, estaria fazendo 71 anos! Como gostaria que ela ainda estivesse conosco! Pra me consolar nas dificuldades que a vida nos impõe! Como sinto saudades dela! Que Deus a guarde em bom lugar no Céu, porque aqui na Terra esta fazendo muita falta! Ela amava muito a única filha que teve! Lembro que eu lhe dizia : Carminho não faça todas as vontades dessa menina que ela fica perdida de mimo! Ela dizia: enquanto ela me tiver, será feliz !E assim foi até o dia que Deus quis! Fique em paz, Carminho, estamos rezando por vc.!
Falar sobre Carminho é muito difícil pra mim pois eu era muito apegada a ela e as lagrimas em meu rosto se confundem com a imensa saudade que sinto dela! Descanse em paz , minha irmã! Algum dia nos encontraremos por lá! Anita( Niu)
                                                                                                                     Maria

De Mano
 
Como perdemos gente querida!
Carminho, onde estiver, saiba que a amamos muito!
Abraços Roza por avivar a memória de todos .Mano

                                                                 
De Domingo Sávio
Relembrar é viver duas vezes. É muito bonito e admirável lembrar dos nossos entes queridos e lembrar de mais uma mãe em minha vida. Que deus continue iluminando os caminhos dela onde ela esteja. Enquanto estarei rezando e orando pela sua alma.Parabéns a todos os familiares que ainda lembram dessa realeza e das outras que também já se foram.  Domingo Sávio
                                                                                               
De Angélica Hermínia
Aproveito para dizer que de Tia Carmo recordo a
sua irreverência, nos estimulando a gritar Piiiiiiiiii e quando algum
adulto aparecia a gente terminava a frase ...rulito enrolado no papel
enfiado no palito...e por aí íamos rindo e mangando dos "adultos"
enrijecidos. Amava essa ousadia que ela dava a nós crianças. Saudades
dela também. Angélica
 
 De Anete Hermínia
Tenho muita honra de ser sua sobrinha.
Saudade . Anete.
 
De Ana Hermínia
Com certeza. Tia Carmo era e é queridíssima! Adorava quando ela desmontava um liquidificador e consertava, mesmo sobrando.
peças
Também arrasava no jogo do buraco.
Beijos inesquecíveis, enfim muitas lembranças maravilhosas e
eternas. Ana Hermínia
 
 
De Adriana Bomfim
Lembro-me de tia Carminho em uma das viagens que fiz à
Aracaju com mainha. Lembro de seu rosto meigo e da esperança que vi no olhar dela.
Ela deixou saudades, mas temos a certeza que ela está bem e olhando
por nós e que um dia, quando chegar também nossa hora, iremos revê-la.
Fica a lembrança, a saudade e também a esperança do reencontro.
vamos orar e lembrar com saudade, nunca com tristeza, pois ela assim
como muitos outros que amamos partiram dessa vida para outra vida
junto com nosso Pai Celestial. Adriana Bomfim
 
 
De Andrea Hermínia
 
Maria do Carmo Aguiar - lições de vida inesquecíveis
 
 OBRIGADA TIA ROZA POR MAIS ESSE PRESENTE... Andréa



 
Assim,  essa é uma pequena homenagem que hoje, 10/05/2014, prestamos a minha irmã , nossa querida Maria do Carmo Aguiar, mulher amorosa , forte, dedicada, muito trabalhadora, que dedicou sua vida para o bem de sua família, inicialmente para o bem dos irmãos mais novos e sobrinhos e depois para a família que constituiu, em especial sua fúnica filha Maria Anita do Nascimento Aguiar Neta que, apesar do infortúnio de perder a mãe tão cedo,ficou na companhia de sua tia Maria Anita (NIU) e de sua família. Formou em Matemática e  constituiu família com um rapaz de bem, Jeirlan Palmeira, com quem tem duas lindas e inteligentes meninas, Ana Cibele e Maria Helena, netas de minha inesquecível irmã Maria do Carmo Aguiar
Aracaju, 10/05/2014.
Antonia Roza de Aguiar Menezes







quarta-feira, 2 de abril de 2014

NAS NOITES DA FAZENDA BREJINHO

PELAS MÃOS DO ARTISTA


Outrora fiel companheira dos dias longos e das noites frias. Disputada foste por moços e velhos que, com seus dedos ávidos, te apalpavam e deslizavam suas mãos em teu corpo inteirinho. 
Nada reclamavas, nada dizias, eras objeto de desejo, de disputa e de alegria.
Gerações e gerações de ti desfrutaram, saciaram suas fomes de prazer, de realização e de glória. Tantos choraram suas derrotas em tua presença e comemoraram a teu lado suas vitórias.
Mas o tempo, ingrato e cheio de revezes, passou rapidamente, e muitos se foram e tantos outros envelheceram. Também tu, decrépita, alquebrada, abandonada e triste quedaste solitária nas cinzas e sombra do passado glorioso.
Lá ficaste por anos e mais anos, esquecida por todos que antes lhe disputavam.
Até que num belo dia, o toque milagroso da mão do artista, com carinho, cura-te as feridas, tampona as crateras que te deformaram , esfolia-te o corpo todo e  banha-te com os mais tênues e poderosos cremes.
Bela e poderosa como dantes, tu ressurges das cinzas, velha dama, incomparável dama, antigo tabuleiro de damas que era de meu pai e que animava e motivava  as noites na Fazenda Brejinho, em Malhada dos Bois – Sergipe.


Antonia Roza

Junho de 2013


Nota do autor: 

Tabuleiro de damas vindo de Portugal e oferecido a Manoel Gomes de Aguiar pelo amigo português, Álvaro Lemos, grande fotógrafo na cidade de Propriá-Sergipe.

Recuperada pelo artista: Dene Oliveira 
(Wednilton Oliveira Santos) 
Email -  denepinturas1975@gmail.com
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

MARIA ANITA DO NASCIMENTO AGUIAR

 Em 21 de julho de 1907, nascia no sítio Recreio, município de Laranjeiras, no Estado de Sergipe, Maria Anita Alves do Nascimento, filha de João Romualdo do Nascimento e Hermínia Alves do Nascimento. Eram seus avós paternos Romualdo José do Nascimento e Maria Júlia do Nascimento e avós maternos Eugênia Maria do Amor Divino e Francisco Valentim da Silva, este português, da cidade do Porto.
Anita, filha caçula, a décima primeira filha do casal, cresceu com muito mimo dos pais e dos irmãos, dividindo o tempo entre o Sítio Recreio e a casa que seus pais tinham na cidade de Laranjeiras. Quando estava no sitio, além das brincadeiras habituais de toda criança, aprendeu a nadar e a pescar e se tornou exímia mergulhadora.
Seus estudos foram na famosa Escola Laranjeirense, da Professora Zizinha Guimarães, escola que além das disciplinas básicas, ensinava francês, esperanto, música, dança e teatro.
 Paralelamente e como era costume na época, ela aprendeu bordado, corte e costura, e outros trabalhos manuais. Era, portanto, muito prendada.
Apesar de morar no interior,Anita acompanhava a alta moda do sul do país, pois um de seus irmãos, Hermínio Alves do Nascimento (BINA), que era do Exército, no Rio de Janeiro, comprava os lançamentos da moda e imediatamente mandava para ela.                                                      Moça culta e bonita participava dos eventos da cidade, sendo habitualmente convidada para ser porta-estandarte nos desfiles cívicos e nas procissões. Também gostava muito de dançar e dançava muito bem. Quando havia baile na cidade ela falava com os pais que permitiam que ela fosse, mas somente se acompanhada de seu irmão Oscar Nascimento que de certa forma decidia com quem ela poderia dançar. 
Vários rapazes desejaram casar com ela e, aos 21 anos, recebe proposta de casamento de um rapaz muito trabalhador e muito bonito, sobrinho de sua vizinha Carolina de Aguiar (Calú). Ele veio trabalhar, com seu carro de bois, para abastecer de cana os engenhos do município de Laranjeiras. En cantado  com a moça, ele logo conseguiu se aproximar da família, se tornar amigo de Oscar, irmão dela, e posteriormente conquistá-la.
Tamanha foi a atração entre os dois que, em menos de dois anos, namoraram, noivaram e, no dia 26/11/1929 na Igreja Matriz de Laranjeiras, casaram festivamente.
O casal foi morar na Fazenda João Vieira, município de Cedro de São João, onde Manoel Gomes de Aguiar (Maneca) já morava quando solteiro. De Laranjeiras, além de um grande enxoval e objetos de casa, Anita levou algumas cabeças de gado que lhe foram doadas por seus pais.
O amor que tinha ao marido era tamanho que Anita, moça da cidade, passou a viver, ao lado dele, a vida simples do campo; passou a fazer os trabalhos rudimentares típicos das donas de casa da zona rural, além de bordar e costurar para ganhar dinheiro e ajudar nas despesas da família.
 Aí no campo também, Anita passou a servir aos mais humildes, sendo requisitada para escrever e ler cartas dos parentes distantes, cortar cabelos e orientar em cuidados com a saúde e a higiene dos adultos e das crianças. Em pouco tempo passou a ter diversos afilhados e compadres.
Alguns anos se passaram, e depois de muito trabalho, Maneca e Anita conseguiram construir sua própria casa na Fazenda Brejinho, município de Malhada dos Bois, propriedade que foi doada pelos pais de Maneca.
Anita e Maneca tiveram 11 filhos que educaram com muito amor, carinho e até com muito rigor, sempre seguindo os princípios cristãos e as normas da boa convivência.Muito preocupada com o desenvolvimento intelectual dos filhos,  ela começava a alfabetizá-los desde pequeninos  e, sendo assim, quando chegava a época da escola, todos já sabiam ler e escrever.
Anita, esposa e mãe amorosa, sempre presente e dedicada, renunciava sua comodidade, seus interesses e esquecia seu cansaço pelo bem estar de seus familiares e não só destes, mas de todos aqueles que tiveram a felicidade de conviver com ela. Pode-se dizer que era uma pessoa que doava sua própria vida pela a felicidade do outro.
Muito trabalhadora, dentro do lar ela fazia tudo, desde o preparo das refeições, à confecção e higiene das roupas, além os demais serviços de limpeza da casa.
Cumpria suas atividades domésticas com muita habilidade e rapidez e, enquanto o marido trabalhava no campo, ela estava sempre atenta a todo o movimento de gado e de trabalhadores, em volta da sede da fazenda. Além dessa vigilância ao que estava ao alcance do seu olhar, era ela quem fazia o controle das despesas e receitas da propriedade e vivia sempre atenta ao cumprimento dos prazos de pagamento dos débitos contraídos.
Anita detestava ter dívidas e, em assim sendo, sempre que ela e o esposo conseguiam pagar um grande débito, comemoravam com fogos, missa de ação de graças e, muitas vezes, com festa.
Ela era uma pessoa alegre, afável, com uma facilidade de comunicação que a todos encantava. Era de uma sabedoria inigualável. Crianças, jovens, adultos e idosos gostavam de conversar com ela, pois nunca lhe faltavam palavras de carinho, de estímulo, de conforto, ou até mesmo um assunto mais ameno para distraí-los por muitas horas. Era incansável incentivadora do estudo e do trabalho.
Mulher de muita fibra, correta em suas atitudes, sincera, verdadeira, não gostava de mentiras, fofocas, nem de meias-conversas. O tempo dela era muito precioso para usar com coisas fúteis.
Olhar firme e penetrante, parecia adivinhar os pensamentos, assim não se conseguia enganá-la facilmente.
Pessoa educada, delicada, incapaz de menosprezar quem quer que fosse, mas que não agia contra seus princípios para agradar ou conseguir alguma vantagem de alguém. Ela era uma pessoa de sim, sim; não, não!
 Mulher de muita fé, em sua casa era muito comum, em especial à noite, todos se reunirem e se ajoelharem para rezar. Ela fazia tríduos, novenas e outras orações. Desta forma, na família todos são muito devotos de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e todos têm muita fé. Esse foi um presente que ela deixou para sua família.
Anita era  carinhosa por natureza, muito dócil, solidária e acolhedora recebia e acolhia a todos com muita alegria. Sua casa era muito freqüentada pelos parentes e amigos que moravam fora e, mais freqüentemente, pelos parentes e amigos da região.
A grande mesa da sala de jantar era famosa pela fartura de deliciosas comidas que ela fazia numa incrível rapidez. Em volta dela sentavam-se, lado a lado, seus familiares, seus trabalhadores e todos que estivessem em casa na hora das refeições. Às vezes chegavam de surpresa trinta, e até cinqüenta pessoas em sua casa e ela com grande rapidez preparava refeição para todos.
Na época de férias sua casa ficava repleta de sobrinhos, primos e netos que deixavam a capital para passar as férias na fazenda.
Era muito comum também Anita acolher em sua casa pelo tempo que fosse necessário, parentes e amigos que precisavam de repouso e de uma alimentação mais saudável e forte.
Assim ela se doava com alegria sincera para ver a felicidade e o bem estar dos outros, renunciando a seu próprio conforto e esquecendo seu cansaço.
Anita gostava muito de ler e de escrever. Sua capacidade literária desde cedo se manifestou nas cartas que escrevia, na maneira de ler, de escrever, de falar e de recitar. Assim, quando passou a morar no campo e não tinha acesso a jornais ,nem revistas, guardava os pedaços de jornais e revistas em que se embalavam as barras de sabão ou alguma outra mercadoria, para desamassar e depois ler as velhas notícias e reportagens.  Deste modo ela saciava sua fome de leitura.
Quando já estava idosa, com os filhos todos fora de casa, e o marido continuava com as atividades no campo, ela ficava sozinha, cuidava dos afazeres domésticos e depois se dedicava a ler e a escrever.
Neste período e com o sofrimento pela morte do filho Antônio Hermínio, com apenas 36 anos de idade, ela escreveu mais de cem poesias que fazem parte de seus livros “A DOR DA SOLIDÃO” e “PASSAGENS DA VIDA”. Escreveu também vários contos e histórias do seu tempo que se distribuem em outros livros ainda inéditos.
Com a saúde cada dia mais debilitada, Anita e seu esposo compraram casa em Aracaju e, no município de Laranjeiras, terra de Anita, adquiriram a “Fazenda Mata”, distante 20 quilômetros de Aracaju, onde passaram a morar perto dos filhos e da capital.
Poucos anos se passaram e Anita, que já era cardíaca há mais de 20 anos, veio a falecer antes de completar 73 anos de idade, em 01.06.1980.
Anita deixou para seus descendentes, parentes e amigos
, além de sua produção literária, um legado de força, coragem, determinação, honestidade, amor, carinho e muita fé.
Sua imensa gratidão a Deus, por sua vida e sua sorte, expressou nesta estrofe de uma das suas poesias:
"Termino pedindo a Deus
Que conservai a minha sorte
De ser querida por todos
Até na hora da morte."
(Anita Nascimento)              https://www.recantodasletras.com.br/biografias/4398172
                    

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

UMA PRECE PARA O AVÔ MANECA

          Oração de Anita Hermínia Oliveira Souza,em 16/09/1991, na hora do sepultamento de seu avô Manoel Gomes de Aguiar (MANECA)

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